não sou poeta eu só tenho alma e a dita cuja não se aquieta às vezes triste a folha atenta caneta em riste e a cada linha da minha escrita tem uma pergunta essa questão não resolvida: por que agente (não digo sempre) não é da vida feliz aos poucos ou o suficiente? . - Martins Filho
talvez eu seja um menino inocente insisto e mudo todo dia meu caminho até ensaio um norte diferente quase um Dom Quixote moderninho mas sem vento, sem moinho carregando um dó urgente sem alguém que sente ao lado que diga, devagarinho, (a mão no ombro, o olhar devotado)- “calma, é da vida que isso passe... toda angústia tem algo quase belo: a rosa frágil não escapa ao espinho; e até o melhor prego tolera a agressão do seu martelo..." . - Martins Filho
pode ser de algum perigo ao fotografar a própria vida ver um retrato em tom pastelďuma vida sem contrastes de um colorido desbotado das rugas, do sorriso envelhecido numa biografia amarelada não pela idade decorrida mas pelo querer já esquecido e abandonado na metade . - Martins Filho
Cada um tem a sua saudade, tão particular e só sua... e eu sei que a saudade que me coube é como o bem querer de um passado que sequer acabou, e que mais parece ter sido arrancado. Não sei se é maldade, nem sei dizer como ela é de verdade, mas que sentimento covarde! ...essa falta cala lá dentro, é como querer enxergar alegria num dia sem cor. A saudade leva consigo o que é da gente e nos deixa em troca amostras de dor. - Martins Filho
Da pessoa que amo e de quem eu quero tanto bem, desejo lhe dar todo meu tempo e o melhor do meu dia. E até secar todo o seu pranto ao abraça-la com um abraço que a esconda mundo, mimando-a com todo meu beijo. E que minhas horas não findem, para que eu possa olhar os seus olhos, e segurar nas suas mãos enquanto a vejo dormindo, sabendo que no fundo ela deseja acordar o quanto antes pois tem saudade da vida comigo, que é até melhor que o seu sonho. E que eu seja perfeito apesar dos defeitos, pois só o que quero prá vida é cuidar dessa menina que mora em meu peito. - Martins Filho
Chega um momento em que não tem saída: ou você se abre com alguém ou você fecha com o que te dói demais. Na segunda opção, você tem a 'vantagem' de se fazer de coitadinho e arrancar um pouco de pena das pessoas. Mas se nem os aplausos a um grande espetáculo duram para sempre, o que dizer da pena que as pessoas sentem de quem se entrega assim, quase que por profissão... Às vezes o negócio todo meio que se resolve, por incrível que pareça, só pelo fato de você dividir o que sente, de peito aberto, com alguém que tenha a habilidade mágica de te fazer rir. Aí quem sabe você até se descuide e viva feliz ao lado dessa pessoa, por que essa pessoa realmente gosta de você. Uma pessoa que não lhe faz o bem quando você mais precisa, não merece nem mesmo o seu arrependimento. - Martins Filho
é pior esperar que lhe agradeçam pelo amor ou pela dor, pois poucos reconhecem... será que não existe mesmo indenização pelas horas em claro num canto escuro, quando agente planeja mil frases de efeito pra te conquistar, pra te pegar de jeito? que droga ser daqueles que quer tudo perfeito... e aquele olhar que já brilhou, aquele sorriso que outro dia cativou? Alguem vem, por dignidade, pena ou falsidade, me devolver? Antes, me devolviam em dobro; agora fico aqui, feito um pateta com essa missão, tentando encher a mão com o vento, fingindo o que sei lá se sou... Mas não carrego arrependimento algum, se fui louco, se fui tolo... fui do meu jeito... assim, meio sem defeito, me exibo e me faço bonito apesar desse arranhão no peito. Me orgulho por não ter corrompido o amor numa coisa tão levada ao pé da letra, por que esse bobo é bem capaz de amar tanto e de novo. - Martins Filho
Quando for desitir de alguém, faca-o direito, principalmente se você tiver certeza que foi o dito cujo que lhe renunciou primeiro. Não lhe conceda o enorme prazer de lhe ver chorar, e deixe-o sair de fininho da sua vida, como faz o vento despretensioso que carrega a folha de mansinho. Afinal de contas, alguma vez você viu a árvore reclamar a falta que lhe faz a folha que, desprendida, partiu tão decidida? É do destino ter no outono alguma perda... mas não se esqueça que, mesmo que demore mais do que agente mereça, logo voltam a cor e a beleza da primavera e se desfaz aquilo que fora um descaminho. - Martins Filho
Eu não sou nada, e também nunca pedi, prá vida, nada além do que me aquieta. Eu, que só tive vontades discretas, veja só, meu bem... ando todo inquieto. Nestes dias meus, para mim, tudo parece a exceção que foi aberta, tudo, e assim, cada hora do dia se converte num exibido 'senão'. Não fosse isso, a vida não estaria em alerta. Mas ela está. E está de portas abertas. Quem diria que essa falta de paz me acalmaria! Veja bem, eu não estou reclamando. Até porque esta coceira, esta ausência, o desconsolo e as olheiras, do cair da noite e não ter sono, de andar perdido por aí em abandono, o choro noturno à procura do teu nome, é tudo o que me resta e é tudo ao que me apego nesse mundo. - Martins Filho
O amor não reside na eternidade, pois não é assim tão incorruptível quanto dizem por aí. Ele também se cansa, também se emburra e ele, por ser o mais humano dos sentimentos, não ficaria imune às desumanidades alheias. E aí as pessoas confundem a eternidade de um amor, por mais passageiro que seja na sua existência, com a obrigação de se manter para sempre num compromisso que já acabou à horas. - Martins Filho
Fui abençoado com um coração meigo e que, vou confessar, me prega algumas peças só prá depois sair rindo da minha cara. Mas eu não nego que tenho um orgulho meio bobo de viver assim, à mercê deste amor que guardo só prá ti. Tem dias em que até me sinto um pouco criança, pequenino e acuado pelo tamanho do que sinto por você. E eu te garanto que uma vida toda é pouca pra imensidão desse amor que anda solto dentro de mim. - Martins Filho
Aí o fogo apaga e a magia se perde numa esquina qualquer e por fim tudo que foi lindo acaba, como se nunca tivesse ocorrido sequer uma troca de gentilezas entre aqueles dois seres. Daí, ficamos à deriva naquela fase do choro na madrugada, onde agente se pergunta, entre caixas de lenço e potes de sorvete, qual foi o momento da vida em que começamos a ser derrotados, já que aquilo tudo parecia tão intenso. E agente compreende que perde algumas pessoas pelo caminho, em muitos casos, por que elas mesmas é que tratam de ficar irreconhecíveis, querendo nos enfiar goela abaixo um riso agora ausente e oferecendo um olhar apagado em nossa direção, como se tivéssemos que nos submeter ao constrangimento de aceitar certas migalhas. - Martins Filho
E sobre esse negócio de dizer que os brutos também amam? Não sei se eu consigo concordar. Tava aqui pensando e acho até que a realidade é justamente bem o oposto disso e está mais próxima de algo como "amores mal cuidados é que vão embrutecendo" - esse sim seria um dito popular mais verdadeiro. Acreditar em certas balelas pode até nos acostumar numa existência póstuma ou numa sobrevida teimosa de um sentimento findo. Dizer que os brutos podem, por um acidente, vir a amar é iludir quem espera pelo amor. Afinal, o amor deve ser mais profundo que o deslize de um brutamontes, quando gasta uns trocados comprando flores prá se desculpar mais uma vez ou até prá disfarçar outra cagada - como se flores, por si só, recitassem poesia e como se esse desaforo fantasiado de pétalas de rosa enganasse de verdade à alguém. Concorde quem quiser, mas não se trata esse sentimento à base de tantos remendos porque até o perdão de quem ama de verdade possui os seus limites. - Martins Filho
E o estrago foi tão grande que não coube mais, e é hoje que eu boto ele prá fora, pois desse sofrimento eu tiro nem que seja uma lágrima pequena, um versinho ou um suspiro arrependido. Sei lá, mas se eu resolvesse ser mais resolvido nessas coisas acho que essa dor aqui não passaria imune. Eu me vingo do sofrimento que há no peito, esfregando-lhe na cara um poema e chorando de corpo inteiro. Essa é a forma que eu encontro de ser mal criado com a dor, é o mais perto que eu consigo de ser ruim - ruim mas da minha forma mais amena. - Martins Filho
O amor é a tatuagem que o tempo chancela no peito, que fica marcado por um desenho com seu significado ou com um borrão e um arrependimento amaldiçoado. Ninguém apaga ou esquece do amor. Já de uma paixão agente até desapega, e eu a comparo com uma pegada que fica na praia. Vem o mar, e leva embora o que foi o nosso rastro. Já o amor é o tesouro que foi enterrado nessa mesma areia. Quem conhece sua localização é abençoado com o que há de maior valor, mas também corre o risco de viver jurado prá morrer, só que morrer de tanto amor. - Martins Filho

a esperança

ando inquieto toda hora
estou aqui quero ir embora
um condenado com esperança
quem sabe meia hora do teu dia
um café, uma risada, a companhia
juro contentar com pouco
se me preparo pro desgosto
quem dirá, em mim, quanta alegria
com a alvorada de um sorriso no teu rosto

(Martins Filho)

pensamento sobre a humildade na medida certa

É essencial ser humilde, estar aberto a mudar ou aceitar novos rumos. Mas se você escuta demais as pessoas e esquece de ouvir a si mesmo, a pessoa que, em última análise, realmente interessa ou que mais será afetada de verdade, corre o risco de viver a vida que os outros querem. Sempre vai haver os que não gostam de você, mas existirão os que vão te respeitar, e se for ao ponto de inspirá-los de alguma forma, tal resultado será tão maior do que qualquer adversidade. Quando você toca as pessoas, é o sinal de que deve prosseguir. Viver aquilo que é verdadeiro pra você sem profanar aquilo que você crê: é assim que funciona.

(Martins Filho)

tem no amor

amar tem lá seus engodos
consciente na sua existência
do quanto é frágil estar ali
mas se for o caso, não desiste
na sua curta permanência
que se basta em si

amar tem lá seus prantos
e mesmo que a vida
por maldade ou implicância
lhe impute certa relutância
entrega àqueles que lhe incitam
a sua existência, sua relevância

(Martins Filho)

pensamento sobre ser pequeno

Não que eu deseje a tristeza, mas agente tende a ser mais humano - o que, convenhamos, faz um bem danado - quando nos sentimos em desalento... e tem uns dias em que eu me sinto tão pequeno, que meu coração mais parece uma partícula.

(Martins Filho)

esteja a vontade

Fique a vontade para sentir o que quiser quando ouvir meu nome. Sinta-se livre para rir da minha cara ou para chorar a minha falta quando ouvir a nossa música. Risque, se quiser, qualquer momento da memória, se você tiver coragem. A porta estará sempre aberta e não serei eu que terei a pachorra de evitar a lembrança do que fomos nós. Dos meus erros convictos, todos foram sinceros.

(Martins Filho)

pensamento sobre a posteridade

quando tudo que restou foi o vazio de não ter vivido como sonhara, vai olhar no espelho e lamentar aquelas lágrimas, perguntando o porquê de uma vida de tantas rugas tolas? Fez sentido não nos falarmos tantas vezes, mesmo que por poucas horas, só porque durou a raiva? E se for tarde demais para arrependimentos, para dar o braço a torcer e para admitir que daríamos tudo que temos, só prá ter de volta justamente aquelas poucas horas que foram desprezadas e aí sim, ter amor até o fim? E se realmente restaase pouco tempo, você não largaria tudo agora mesmo e sairia correndo prá abraçar com um sorriso nos olhos àqueles a quem você ama, tão forte como se fosse pela última vez? nesse caso, você veria o que eu estou vendo agora...

um trejeito

até te encontrar
um silêncio teimoso
que não se cala
um silêncio pomposo
que todos vêem
que vem da alma

sou um predestinado
a ter preso no peito
um amor exilado
tanto que dói
que essa dor não acalma
e é quase um trejeito

(Martins Filho)

pensamento sobre saudade

Agente diz que é saudade aqueles pedaços nossos que vão ficando no caminho. Agente diz que é amor se há alguém preocupado em recolhê-los, devolvendo embrulhados num lacinho.

(Martins Filho)

a vida?

a vida?
não tem frescura
há de se viver
simples assim
e pronto

de forma rara
de forma clara
tanto faz
mas há de ser vivida
e ponto

faltam-me palavras
se um sujeito
está na lida
e ignora
essa loucura

haja exclamação!
mas com ternura

(Martins Filho)

sem fim

queria que fosse assim
sem fim
mas quem disse
que eu que escolho

contento
assim de canto
me conformo contentar
até num pranto

nem choro
e se tenho choro
triste não fico mais
nem mais me espanto

(Martins Filho)

fosse hoje

fosse hoje
morreria saciado
pois, mais que outros
amei simplesmente
e chorei, tão carente
tudo que pude

eu achava direito
limitar ao meu peito
por onde ele iria
só que aí percebia:
amei mesmo além
além do que pude

mas não arrependo
mesmo morrendo
considero um defeito
quem não vive sofrendo
por aí, se perdendo
numa vida que ilude

(Martins Filho)

agua gelada

acordo cansado
a contra gosto clareado
por um sol que madruga
tento fechar os olhos
tento conter a ruga 
é que vou deitar tarde
as vezes nem vou, na verdade
fico esperando o nada
da noite até a alvorada
que espera aguda! 
se quiçá adormeço
o sonho tanto viaja
que dele esqueço
o corpo fez pirueta
ou faz nada?
tanto faz
mas quando lavo a cara
de tão cansado
nem lembro da estrada 
o dia lá fora? esquece...
e em frente a pia
agua gelada, agua tardia
noites inteiras
distante do amor
apegado às olheiras 
perde a hora
só que o dia ainda exige
com peito estufado
café já tomado
e por mais que se exiba
vagou pela noite
continua fadado
à necas de pitibiriba

(Martins Filho)

quero bem

ando aqui
e acolá
querendo-te
e ter-te
queria agora
quero já

quero além
zero à dez
quero cem
pois preciso
quero tanto
que quero bem

as mazelas do amor

quando escrevo
seja verso, seja poema
texto com rima
pra fazer graça
pra morena que passa
ou textinho
de qualidade pequena
pra esta mesma morena
finjo completamente
não ser um poeta
estar indiferente
e conter tanta dor
mas no meu fingimento
de uma alma inquieta
aí que eu aprendo
apesar, e não querendo
das mazelas do amor

chovia cansado

cansei da amizade
e da companhia
de uma caixa de lenços
que a vida jurou lealdade
ou de secar o meu choro
nas aguas da pia

cansei, na verdade
dessa pressa tardia
e daquelas tardes
onde eu olhava a alegria
pela janela do quarto
enquanto chovia

o ocupado

ando meio intenso
cheio desse vazio
ainda ontem foi desses dias
que de tão triste
não me coube ir lá fora
mas não creio da vida
fugir, ir embora
se meu passado
não fui eu que vivi
(pois estava ocupado)
que será deste eu
em que vivo agora?

a saudade

a saudade
quando bate a nossa porta
ou quando fica por perto
em silêncio, mas em alerta
se fingindo de esquecida
não se mingua por completo
ela volta bem mais forte
numa volta dolorida

de rua em rua

quem me dera
ser um rouco
por ter gritado
de rua em rua
a me exibir
com essa agonia
da tua falta
da minha procura...
que esse martírio
faça com a timidez
a cortesia
de ela ser mais louca 
e de ficar nua

caneta em riste

não sou poeta
eu só tenho alma
e a dita cuja
não se aquieta
às vezes triste
a folha atenta
caneta em riste
e a cada linha
da minha escrita
tem uma pergunta
essa questão  não resolvida:
por que agente
(não digo sempre)
não é da vida
feliz aos poucos
ou o suficiente?

um menino

talvez eu seja um menino
inocente eu insisto
todo dia num caminho todo meu
até ensaio um norte diferente
quase um Dom Quixote moderninho
mas sem vento, sem moinho
carregando um dó urgente
sem alguém sentado ao lado
que diga, devagarinho,
(a mão no ombro, o olhar devotado)
- “calma, é da vida que isso passe...
toda angústia tem algo quase belo:
a rosa frágil não escapa ao espinho;
e até o melhor prego tolera
a agressão do seu martelo..."

tons pastéis

pode ser de algum perigo
ao fotografar a própria vida
ver um retrato em tom pastel
ďuma vida sem contrastes
de um colorido desbotado
das rugas, do sorriso envelhecido
numa biografia amarelada
não pela idade decorrida
mas pelo querer já esquecido
e abandonado na metade

"Dancing Like a Crazy" ou "de Zamzibar ao Líbano..."

Se você estiver perto das quarenta primaveras como este que vos escreve, e dependendo do seu nível de interesse musical e ainda, se possuir boa memoria fonográfica poderá achar que o título acima se refere àquela música do ABBA, “Dancing Queen”. Se você não era nem nascido na época em que essas batidas suecas faziam sucesso, vale uma googlada. Mas eu não estou falando de Europop ou de Groovin – estou falando de rock, e rock que te permite dançar. Aliás, é prá dançar mesmo. E como!
 
Lembra quando o Queen era a maior banda de rock do planeta? É isso mesmo!... rock com os solos de guitarra do Brian, a poderosa bateria do Taylor, a poderosíssima voz do jamais superado (que Deus perdoe Jessie J, Roger Taylor e tantos outros pelas heresias) Freddie e uma certa... batida dance! Não vou aqui neste miserável e inabitado espaço entrar em detalhes sobre o que o Queen significou para o rock e para o século XX. O que mais que já não foi falado, poderia eu acrescentar sobre o arrojado “Jazz”, sobre o deliciosamente deselegante “We Are The Champions” ou sobre os momentos únicos e emocionantes de “A Night At the Opera”? Quem nunca dançou ao som de Radio Ga Ga?
Alguns sabem e outros não, e eu estou aqui para relembrar: Freddie não era inglês sangue puro. Era de Zamzibar. Caso não saiba onde fica, posso lhe ajudar dizendo que é na Tanzania. Se mesmo assim não fez diferença, é porque realmente não faz a menor diferença de onde ele veio e sim para onde ele foi. O que estou tentando linkar, na verdade é a pseudo relação entre Freddie e outra voz inglesa made in exportação, desta vez vinda do Libano. Estou falando de Mika – que não tem a mesma biografia e presença de palco, mas pode por muito rockeiro como eu pra dançar quando o ouço.
Os fãs mais danadinhos certamente estão incomodados com as naturais comparações entre Mika e Freddie. Será que a voz do jovem libanês pode ser mesmo comparada com a do veterano tanzaniano? São os arranjos de Mika iguais ou até superiores aos do Queen? Quanto tempo a gente perde discutindo essas miudezas, quando o que vale mesmo é que os dois tem um ponto de convergência: o talento para a diversidade.
Logo ao ouvir seu disco de estreia, e já na sua primeira faixa (Grace Kelly) você pode perceber que não está diante de mais um produto enlatado que vão te enfiar goela abaixo. Não parecia com nada que estava disponível nas prateleiras das rádios em 2007. Existem alguns tipos de sons que te deixam atordoados. Fiquei assim com Hey Ya, do Outcast ou Crazy do Gnarls Barclay. Foi assim com Mika. Mas este tem uma classe um nível acima.
Que me perdoem os fãs xiitas (como eu) do Queen por ter a cara de pau e a audácia de usar o Freedie Mercury como introdução para chegar ao Mika neste post, mas quem conhece ambos e, acima de tudo, quem conhece o que é barulhinho bom, vão concordar comigo que depois da morte do líder do Queen, poucos artistas demonstraram possuir tanto talento vocal quanto o Libanês Mika.

:: post teste ::

Estamos em 2013. Caso você esteja lendo este texto num futuro distante, ou até mesmo num passado longinquo (sim, eu acredito que viajaremos no tempo em breve) gostaria de ponderar sobre as mudanças de comportamento da sociedade num periodo relativamente curto de anos. Como exemplo: Michael Philip Jagger (ou para quem não sabe: Mick Jagger - o vocalista ainda hoje magrelo dos Stones), fez 70 anos agora a pouco, no final de julho de 2013. Tomando como base quando os Stones apareceram em 62, os adeptos não voluntários do British way of life (a sociedade inglesa) estava na era do gelo comparado aos nossos dias. O famoso livro "O Amante de Lady Chatterley", de D. H. Lawrence, do distante (ou não) 1928, continuava proibido e a pílula anticoncepcional já existia, mas não chegava tão fácil às anti-despudoradas farmácias (hoje o Viagra já tem uma década!!). Os londrinos (e o mundo) tropeçavam em ossos e restos mortais de T-Rex nas ruas. Correto ou não, e este julgamento não é da minha conta, as convenções mudaram. E como mudaram. Mas o anseio por mudança, o desejo pelo que é novo, não.
 
Imagino eu, que para os garotos que ouviam os Stones, aquilo era uma espécie de berro, de pirraça. E não era pela música apenas, mas pelos (des)penteados, pela conduta, pela pose. Cabe uma observação: A partir dos anos 80, pose no mundo do rock, deve ser confundido com “poser” – vide o rock farofa. Fecha parênteses. Naquela época, não havia pose sem atitude. Como é impossível falar de musica, Inglaterra e anos 60 sem citar os Beatles, arrisco a dizer que na comparação entre a turma de Liverpool e os Stones, a turma de John, Paul, Ringo e George estava mais para ‘os sobrinhos favoritos da titia’ com seus uniforme de terninhos e seus sapatos cuidadosamente engraxados. Os Stones? Eles eram a banda mais perigosa do planeta, titulo que o Guns tomou para si no fim da década de 80.
 
De qualquer forma, as eras passam e até os intrigantes rockstars precisam submeter-se a realidade. Afinal, você duvida que o próprio Mick usa óculos para leitura ou faz exame de próstata, mesmo ainda sendo meio que um ícone da rebeldia?